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Moçambique Monitor de Conflitos Atualização: 26 de novembro de 2025

26 November 2025

Also available in English

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Em números

Principais dados na província de Cabo Delgado (10 a 23 de novembro de 2025)

  • Pelo menos 14 eventos de violência política (2.270 no total desde 1 de outubro de 2017)
  • Pelo menos 12 fatalidades totais de violência política  reportadas (6.341 desde 1 de outubro de 2017)
  • Pelo menos 12 fatalidades de civis reportadas (2.690 desde 1 de outubro de 2017)
  • Pelo menos 14 incidentes de violência política envolvendo o EIM em Moçambique (2.107 desde 1 de outubro de 2017)

As operações das forças moçambicanas e ruandesas no distrito de Macomia, nas últimas semanas, exerceram pressão sobre os combatentes do Estado Islâmico de Moçambique (EIM) que operavam ao longo da costa e na floresta de Catupa. Como é habitual em resposta a tais ações, os militantes do EIM dispersaram-se para oeste, para Muidumbe e norte de Montepuez. Entretanto, o grupo intensificou as operações nos distritos de Eráti e Memba, na província de Nampula. O seu impacto em Nampula tem sido significativo. Mais de 60 000 civis fugiram das suas casas desde 10 de novembro, na sequência de uma série de ataques na região. 

Resumo da situação

As operações de contra-insurgência continuam no distrito de Macomia

Os confrontos entre as forças estatais e o EIM foram retomados no distrito de Macomia, no que parece ser uma importante operação de contra-insurgência em curso. O Estado Islâmico (EI) afirmou no seu boletim semanal al-Naba que, em 10 de novembro, o EIM repeliu tentativas das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) de recuperar um posto avançado em Quiterajo. A 15 de novembro, o EI afirmou ter ferido dois soldados ruandeses num confronto 20 quilómetros a sul, na aldeia de Cogolo. Seis dias depois, fontes locais afirmam que ocorreu outro confronto em Cogolo, quando o EIM emboscou as forças ruandesas que tinham descoberto um engenho explosivo improvisado colocado pelo grupo. Não se registaram vítimas mortais e, de acordo com uma fonte, o EIM sofreu feridos no confronto. Os confrontos em Cogolo ocorreram depois das forças ruandesas terem alegadamente estabelecido um novo posto avançado na aldeia vizinha de Pangane, a 10 de novembro, acrescentando-se à sua posição atual em Mucojo. O EIM e as forças ruandesas também entraram em confronto a 16 de novembro em Limala, a apenas 20 km de Quiterajo, no sul do distrito de Mocímboa da Praia, de acordo com uma alegação do EI. 

Os confrontos em Quiterajo, Cogolo e Limala podem ser indicativos de operações de contra-insurgência mais amplas. Imagens de satélite da área, fornecidas pela NASA FIRMS, mostram incêndios extensos a oeste de Quiterajo, na floresta de Catupa, durante três semanas a partir de 4 de novembro. Embora não sejam conclusivas, as evidências de incêndios prolongados num conhecido reduto do EIM, os confrontos confirmados registados na periferia costeira e o reforço da presença ruandesa na costa sugerem fortemente uma operação em curso. 

Uma operação na floresta de Catupa também pode explicar o movimento para oeste de combatentes do distrito oriental de Muidumbe em direção ao extremo norte do distrito de Montepuez. Entre 11 e 17 de novembro, um pequeno grupo de combatentes que se acredita ter saído da área do Lago Nguri matou pelo menos quatro civis enquanto se deslocava pelas aldeias de Muambala, Nampanha e Mapate, no sul do distrito de Muidumbe, em direção ao extremo norte do distrito de Montepuez. Num novo ataque à aldeia de Primeiro de Maio, em 20 de novembro, o EIM matou quatro civis, de acordo com o EI. 

O EIM move-se livremente nos distritos de Eráti e Memba, em Nampula

O Zitamar News reporta que insurgentes vestidos com uniformes militares foram vistos pela primeira vez a 10 de novembro a deslocarem-se entre Cutua, em Eráti, e Cucune, no distrito de Memba. Até 21 de novembro, já haviam realizado 13 ataques contra comunidades civis nos dois distritos e matado pelo menos 21 civis. 

Segundo uma fonte, o EIM estava a avançar em pelo menos três grupos. Os militantes atacaram primeiro as aldeias de Pavala e Sirissa, em 10 de novembro, antes de se deslocarem para sul para atacar as aldeias de Nhage e Nahavara, em 13 de novembro, quase 60 km a sul do rio Lúrio, que divide as províncias de Nampula e Cabo Delgado. Nos oito dias seguintes, os ataques nos dois distritos levaram mais de 66 000 pessoas a fugir de Memba para se refugiarem no distrito de Eráti, principalmente na vila de Alua. De acordo com o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA), o número de pessoas deslocadas no distrito de Memba ainda não foi devidamente avaliado, mas milhares fugiram para a sede do distrito de Memba, bem como para as aldeias de Lúrio, Chipene, Mazua, Cava, Tropene e Miaja. OCHA também relata a chegada de até quatro camiões com pessoas à cidade portuária de Nacala, mais a sul. 

O governador da província de Nampula, Mariamo Abdula, terá dito aos meios de comunicação social, a 24 de novembro, que as operações militares estavam em curso e a ser bem-sucedidas. A única prova do envolvimento das forças estatais é uma notícia publicada no al-Naba sobre um confronto com uma patrulha a pé das FADM, a 12 de novembro. A notícia, que incluía provas fotográficas do equipamento apreendido, não especificava se o ataque tinha ocorrido no distrito de Eráti ou de Memba.

Foco: O que atrai o EIM a Nampula?

A atividade do EIM na província de Nampula atingiu o seu ponto mais alto em novembro, com 16 eventos nas primeiras três semanas do mês e a maior taxa mensal de mortalidade desde o início da insurgência. Novembro é o terceiro mês consecutivo em que o EIM tem estado ativo no norte de Nampula, marcando a atividade mais sustentada na província desde o início da insurgência. A atividade dos insurgentes em novembro foi caracterizada pelo rápido movimento de pelo menos três grupos de combatentes, ataques a civis e destruição de propriedades, provocando deslocamentos em grande escala. A campanha também se destacou pelo número de incidentes relatados, 10, divulgados pelo EI. 

As repetidas incursões do EIM sugerem que o grupo pode estar a procurar reforçar as suas ligações existentes na área, possivelmente com vista a reforçar as rotas de abastecimento para recrutas e mercadorias. ACLED regista pela primeira vez a atividade insurgente em Memba em junho de 2022 e em Eráti em agosto de 2022. No entanto, há evidências de que o grupo tem ligações significativas com a província. Os investigadores Salvador Forquilha e João Pereira apresentam evidências da existência de redes de recrutamento na província desde pelo menos 2016. Eles também descrevem ligações de longa data entre as comunidades pesqueiras de Nampula e as suas congéneres em Quissanga, Ibo e Macomia, mais a norte, em Cabo Delgado. Essas relações estabelecidas podem fornecer pontos de entrada para o desenvolvimento de linhas de abastecimento e a procura de novos recrutas. 

A violência da actual estadia pode, paradoxalmente, ser um indicador de que o EIM deseja reforçar a sua posição numa área onde tem ligações fortes. As deslocações em massa e a desestruturação da administração civil, particularmente na ausência de uma resposta militar eficaz, criam um ambiente em que o grupo pode operar com alguma liberdade. 

Resumo de Notícias

ExxonMobil suspende declaração de força maior no projecto Rovuma GNL

A ExxonMobil suspendeu a declaração de força maior sobre o seu projeto de gás natural liquefeito (GNL) de Rovuma, na província de Cabo Delgado, em Moçambique, imposta após o EIM ter atacado a vila de Palma em 2021. A decisão abre caminho para a decisão final de investimento, prevista para 2026. A medida segue-se ao recente reinício dos trabalhos da TotalEnergies no projeto adjacente de GNL de Moçambique. A primeira produção tanto para o desenvolvimento do GNL de Rovuma liderado pela Exxon como para o projeto da TotalEnergies está prevista para o início da década de 2030.

TotalEnergies acusada de cumplicidade no “massacre dos contentores” em Moçambique

O Centro Europeu para os Direitos Constitucionais e Humanos (ECCHR) apresentou uma queixa criminal na França, a 17 de novembro, acusando a TotalEnergies de cumplicidade em crimes de guerra, tortura e desaparecimentos forçados em Moçambique. A queixa, apresentada ao Procurador Nacional Antiterrorismo da França, centra-se num incidente de 2021 conhecido como o “massacre dos contentores”, no qual as forças armadas moçambicanas terão detido, torturado e morto civis nas instalações de gás da TotalEnergies. 

O ECCHR argumenta que a TotalEnergies apoiou conscientemente uma unidade militar com um histórico documentado de violações dos direitos humanos, fornecendo alojamento, alimentação, equipamento e bónus aos soldados. De acordo com o ECCHR, documentos internos obtidos através de pedidos de liberdade de informação mostram que a empresa tinha conhecimento dos abusos violentos cometidos pelas forças em que confiava para garantir a sua segurança. O ECCHR afirma que a TotalEnergies e os seus executivos devem ser responsabilizados por permitir estes crimes.

Moçambique concede prorrogação ao projeto de GNL da TotalEnergies

O governo moçambicano concedeu à TotalEnergies uma prorrogação adicional de 4 anos e meio para a concessão do projeto de GNL de Cabo Delgado, correspondente ao período durante o qual foi suspenso ao abrigo de uma declaração de força maior devido a ataques insurgentes entre abril de 2021 e outubro de 2025. A TotalEnergies tinha solicitado uma prorrogação de 10 anos, alegando perdas de 4,5 mil milhões de dólares americanos. No entanto, o governo optou por restaurar apenas o período real de suspensão e encomendou uma auditoria independente para verificar todas as despesas relacionadas.

    Country
    Mozambique
    Region
    Africa
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